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Specialisterne Foundation is a not-for-profit foundation with the goal to generate meaningful employment for one million autistic/neurodivergent persons through social entrepreneurship, corporate sector engagement and a global change in mindset.

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ESG: Precisamos falar sobre Neurodiversidade

dez 16, 2022

No competitivo mercado de trabalho em que vivemos, as empresas têm buscado diferentes formas de se manterem competitivas. As empresas já perceberam que a forma com que se comunicam com a sociedade, apoiando diferentes causas, investindo recursos em projetos e associando suas marcas a determinadas iniciativas, impactam diretamente o valor de sua marca em relação ao mercado em que estão inseridas.

Hoje em dia, muito tem se falado do ESG, que nada mais é que a sigla em inglês para “Environmental, Social and Governance” (ambiental, social e governança, em português). Esse termo começa a ser utilizado como um modelo para avaliar possíveis investimentos, seja em relação a sustentabilidade, se a governança é adequada ou não, e qual o impacto social que as empresas causam na sociedade, em função do seu negócio.

Como exemplo, se eu tenho uma empresa que contamina um rio, prejudicando todo o meio ambiente, sua imagem ficará marcada negativamente, resultando na desvalorização desta empresa. Situações de racismo, que tem caráter criminoso, por exemplo, que podem ocorrer dentro dos estabelecimentos de empresas que atuam com atendimento ao público, fazem com que essas empresas tenham sérios problemas legais, além do impacto negativo incalculável para sua imagem. Ou seja, uma situação de discriminação faz com que o valor dessas empresas diminua e elas perdem mercados e consumidores, impactando assim seus negócios.

A partir disso, começa um movimento em algumas bolsas de valores no mundo, onde empresas que não tenham mulheres em cargos de liderança, por exemplo, não possam operar na bolsa ou têm suas ações prejudicadas por causa disso. Torna-se imperativo olhar para questões de diversidade, equidade e inclusão.

Então, quando falamos de ESG, a questão do social e da governança estão diretamente ligadas aos temas de diversidade, equidade e inclusão, e da neurodiversidade. Quando falamos do ‘social’, também nos referimos de como as empresas olham para questões de direitos humanos, se têm uma política de direitos humanos, de forma clara e transparente, e programas efetivos de diversidade equidade e inclusão – programas estes onde temos diversos indicadores, sendo assim possível, o monitoramento de como essas questões têm sido gerenciadas pela empresa.

Um bom exemplo é a Nasdaq (bolsa de valores americana de empresas de tecnologia) que aprovou um projeto onde todas as empresas listadas devem ter em seus conselhos de administração, no mínimo, dois diretores considerados diversos, que pode ser mulher ou outra pessoa dentro dos considerados grupos minorizados, como pessoas pretas, pessoas com deficiência, LGBTQIA+. Ou seja, por causa dessa questão da ‘governança’ e do ‘social’, isso já começa a impactar as empresas para que sejam mais diversas.

O que o ESG tem a ver com inclusão de pessoas autistas no mercado de trabalho? Tem tudo a ver! O ESG, quando olhado para questões sociais e de governança, nos permite a oportunidade de incentivar, contribuir e cobrar resultados para que todas as empresas tenham políticas de contratação que permitam às pessoas autistas a possibilidade de participarem com igualdade dos processos de recrutamento e seleção. Como profissionais atuantes nesta causa, temos o direito e dever de incentivar que essas políticas façam com que as pessoas neurodivergentes – com autismo, TDAH, dislexia -, tenham oportunidades de entrar e permanecer nas empresas e construir uma carreira profissional.

Quando falamos do S do ESG, o social, temos uma grande oportunidade para que o movimento das pessoas autistas, de familiares e pessoas que atuam na causa, levem o tema às empresas como possibilidade de investimento em prol da qualidade de vida deste público, seja na área educacional, de saúde ou cultural. Neste sentido, fomentar a criação de grupos de afinidade específicos sobre neurodiversidade dentro das empresas, podem ser uma importante ferramenta para que o tema seja sempre pautado nas organizações.

E, para finalizar, quando no ESG falamos de governança, também nos referimos aos aspectos de políticas de atração, contratação e gestão de talentos, incluindo os talentos neurodivergentes. Sendo assim, para que as empresas tenham uma plena gestão do ESG, as pessoas neurodivergentes precisam estar presentes nesta discussão, e mais que isto, devem fazer parte dos quadros de colaboradores de todas as Empresas, com toda acessibilidade necessária para trabalharem e sentirem-se felizes.

 

Marcelo Vitoriano é psicólogo, especialista em terapia comportamental cognitiva em saúde mental, mestre em psicologia da saúde, com experiência na gestão de programas de diversidade e inclusão em empresas como Sodexo no Brasil. Há 4 anos, faz parte do grupo de trabalho sobre Direitos Humanos nas Empresas da rede brasileira do Pacto Global da ONU e é diretor geral da Specialisterne no Brasil, organização social de origem dinamarquesa presente em 21 países, que atua na formação e inclusão de pessoas com autismo no mercado de trabalho.